A evolução dos servidores Web, o que usar e o que aposentar na sua empresa

Servidores Web já existem há quase 30 anos e são a peça mais importante para suportar a Internet como a conhecemos. Embora muitos desenvolvedores não deem a devida importância para eles, é fundamental conhecer essa importante fauna e como podemos tirar vantagens de algumas tecnologias modernas para o suporte a estilos modernos como APIs e microsserviços.

Primeira geração – Servidores Web Baseado em processos

Reconstituição de trilobites vivos.

Anos de atividade: 1990 a 2000
Status: Extinto

O primeiro servidor Web foi desenvolvido a partir do utilitário inetd do Linux, que é um programa utilitário que responde requisições de um cliente em um certo porto e faz o despacho da requisição para um programa.

No começo dos anos 90, um programa específico foi desenvolvido para lidar com requisições http. Esse programa se chama httpD (Http Daemon), desenvolvido pela NCSA (National Center for Supercomputing Applications da Universidade de Illionis.

Como aplicações Web tendem a gerar um tráfego alto composto por múltiplas requisições de tempo de vida curto, esse tipo de mecanismo não é usado para fins profissionais. Com o tempo, peças específicas de software foram desenvolvidas para tratar com escalabilidade e segurança requisições HTTP. Ao mesmo tempo, é importante destacar o servidor Web mais popular do planeta, o Apache HTTP Server, foi desenvolvido a partir do utilitário NCSA httpD.

Segunda geração – Servidores Web baseados em Threads

Um Carcharias taurus.

Anos de atividade: 1995 – atual
Status: Em plena atividade

A história desses servidores se confunde com a história do Apache HTTP Server. Em linhas gerais, o Apache HTTP Server  surgiu a partir de utilitários simples para responder a requisições HTTP e foi evoluído para incluir características hoje fundamentais em aplicações Web tais como suportar:

  • Múltiplos clientes simultâneos através de multi-threading;
  • APIs de extensibilidade para a construção e distribuição de novos módulos;
  • Transporte seguro (SSL) e mecanismos de autenticação e autorização de páginas.

Esses servidores se tornaram dominantes na Web ainda nos anos 90 e exemplos de servidores dessa categoria incluem o Microsoft IIS  e NGINX. Enquanto o primeiro servidor é dominante para aplicações desenvolvidas em ASP e ASP.NET, o segundo foi desenvolvido como uma opção mais performática do Apache HTTP Server.

Servidores Web de Terceira Geração – Os temíveis e monstruosos Servidores de Aplicação 

Elephant white background.png

Anos de atividade: 2000 – atual
Status:  Em risco de extinção

A tecnologia Java EE era no final dos 90 o esforço mais sofisticado de organização de plataformas servidoras, inspirados por modelos hoje legados como o CORBA. Servidores Java EE trazem, por especificação, uma enorme coleção de serviços embutidos (out of the box), tais como linguagens de páginas dinâmicas, gerência de memória, operação clusterizada, controle transacional distribuído, modelos de componentes distribuídos e conectores com plataformas legados, entre outros).

Como consequência dessa enormidade de serviços, empresas como IBM, BEA, SUN, TIBCO, Fujitsu, Oracle e JBOSS, entre outras, começaram a desenvolver servidores Web com esteroides. Essas peças foram apelidadas de “servidores de aplicação” e são servidores Web que foram desenvolvidos para rodar aplicações servidoras.

No mundo Microsoft, a combinação do IIS, .NET Framework, MSMQ e Windows pode ser vista, com alguma liberdade arquitetural, com um servidor de aplicação Microsoft que hospeda e roda aplicações .NET

A história do Java EE e .NET se confundiu durante muito tempo com esses tipos de servidores Web. Algumas servidores de aplicações populares incluem:

  • IBM Websphere Application Server
  • Oracle Internet Applicaton Server (antigo BEA Weblogic)
  • Redhat Wildfly  (JBOSS Application Server)
  • Microsoft IIS + MSQM + .NET Framework
  • Microsoft BizTalk

Servidores Web de Quarta Geração – Servidores Leves Embarcados em Aplicações

Anos de atividade: 2010 – atual
Status: Em plena atividade

A partir de 2010, um movimento de minimalismo começou a tomar conta da comunidade de desenvolvimento Web. Os motivos estão ligados a problemas de escalabilidade e o peso de várias soluções dos servidores de terceira geração. Alguns desses servidores de terceira geração exigem pelo menos 1 GB de memória para funcionamento, ocupam dezenas de gigabytes de espaço em disco, requerem processadores de última geração para performer e alocam centenas de threads quando são instanciados.

Um exemplo de servidor Web de quarta geração é Express do Node.JS. Ele é um servidor minimalista que opera junto da própria aplicação .JS que está sendo executada. Ele ocupa um espaço mínimo de memória (entre 10 a 20 megabytes), poucos megabytes de espaço disco e usa recursos mínimos de CPU.

E as próprias comunidades Java EE e .NET começam a desenvolver soluções minimalistas para servidores Web.

No mundo Java EE, a Spring (hoje Pivotal) entregou soluções minimalistas como o Spring Boot . O Eclipse Jetty  e o KumuluzEE  são outras soluções nesse sentido.

No mundo .NET, a versão mais recente do ASP.NET e o projeto .NET Core são exemplos nesse sentido com os servidores leves e embarcados como o Kestrel e o HTTP.sys. Aplicações ASP.NET Core podem rodar sem a necessidade de servidores como o IIS. Essa nova geração de servidores Web elimina o modelo tradicional e empacotamento e distribuição de aplicações (assemble & deploy). Ao invés, a própria aplicação Java, C ou JS servidor é executada como um servidor Web em um modelo chamado de aplicação auto hospedada (self-host application). Essa nova geração é útil para o desenvolvimento no estilo arquitetural de microsserviços.

Comparação da Fauna de Servidores Web

Para facilitar a sua escolha e evolução arquitetural, montei uma tabela de referência aqui.

E você, que fauna está alimentando na sua empresa?

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